sexta-feira, 27 de junho de 2008

Perturbação tecnológica


Desde que o celular foi inventado, a particularidade de se falar ao telefone se tornou real. Você pode ligar para qualquer pessoa e sair andando por aí falando com o aparelho no ouvido, as vezes por mania, mas vezes por descrição.
Em momentos de mais alta ostentação de aparelhos bem caros, que posso chamar de chamariz para bandidos - que coitados tem seu instinto malvado aguçado – os meliantes vão aonde querem sem serem interrompidos por aquele irmão chato, mãe ou qualquer um que desejasse usar a linha telefônica dos comuns aparelhos residenciais.

No início quando era um artigo de luxo, lá pelos anos 90,o celular dava status a quem o possuía. O modelo Motorola Microtac que passava só em filmes de gangs internacionais, era o auge. Dentre suas características estava um flipper que chegava quase na altura do queixo de quem aderisse ao aparelho.Mas hoje em dia não é bem assim. A tecnologia avançou absurdamente e tem levado aos consumidores ao delírio. O que temos agora é um leque fenomenal de celulares que abrigam mil e uma funções, custam uma fortuna e que o "falar" não é mais importante como no tempo de Microtac. Em alguns dos aparelhos das muitas marcas que se criaram, você tem desde acesso a Internet a televisão portátil! Será que precisamos de tanta tecnologia assim?

Não me interpretem mal, pois não sou uma ogra das cavernas que não compreende a evolução da tecnologia. Obviamente que compreendo, tanto que sou adepta de vários utensílios com estes e não viveria sem, até por que a sociedade te obriga a isso. Você não pode entregar todos os seus trabalhos de faculdade manuscritos , pode? Para isso existe o computador, e outros adendos do último e deste século, que por sinal só está no começo. Enfim ,você tem que se acostumar com o novo mundo.

Porém o que vem me revoltado demasiadamente e tirado minha tão escassa paciência é o mau uso da tecnologia contida nos celular. Eu, que possuo um aparelho no qual a característica que mais me interessa é o despertador, fico furiosa com certas pessoas que muitas vezes nem conheço( por sorte minha). Com pouco tempo livre e amante da boa leitura, estudo dentro do pequeno silêncio da condução como muitas pessoas, tenho certeza. E igualmente como eu, essas devem ficar altamente raivosas quando certas pessoas aderem a poluição sonora celular.
O que é isso? Você se pergunta certamente. É quando pessoas inconvenientes com seus celulares do mesmo feitio dos donos, faltam com respeito qualquer pessoa que está a sua volta com malditas músicas ruins. O problema é que incomoda! Existe um projeto de lei que não permite que o transporte público tenha som ambiente, pois invadem o espaço público e esses chatos parecem que se incumbiram dessa tarefa. Pior ainda são as músicas, que de 100 , 0 prestam, (Estatística feita por mim, que eu confio e do meu gosto musical) e o volume em que são postas.

Tenho certeza que não digo só por mim. A cara das pessoas é impagável de ódio. Será que estas pessoas de atitudes impróprias não se tocam? A tecnologia proporciona isso, mas prefiro acreditar que é mau uso! Por exemplo o alto- falante, pra que existe ?Acho que para falar ? Não para tocar músicas altas que perturbam o juízo de quem está cansado e nas últimas horas do dia (as que presencio) precisando só de paz.

Usem as extravagancias de seus aparelhos celulares em casa, dentro de um quarto, ou simplesmente comprem um fone de ouvido. Aos desavisados, sabem o que significa bom senso? Procurem no dicionário pois é isso que vocês precisam ter. Não condeno os celulares – jamais - e sim quem os usa para encher o saco da mente alheia - sempre. Pode até ser que exista alguém que goste, mas como tudo na vida, não podemos generalizar. Ou então, devo me redimir e aceitar. Ah, é nessas horas que essa perturbação tecnológica me faz lembrar do bom e velho Microtac.E na minha mente mesmo sabendo que é quase impossível e fora dos padrões, mas útil para minha tranquilidade, me ponho a clamar : Volta Microtac, volta...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Onde está a ética?


Nos dias em que vivemos , a busca incessante pela informação tem se tornado algo perturbador para os grandes empresários de comunicação e seus respectivos veículos. Emparedados entre os interesses da empresa e da imprensa, os jornalistas vem lutando pela exclusividade e o imediatismo, o que já se tornou obrigação para muitos deles. O problema é que isso os tem feito passar longe da ética e como conseqüência trazido ao público algo diferente do que podemos chamar de jornalismo de qualidade.
Assistimos de perto, muitas vezes infelizmente, uma péssima publicação da notícia, porém não podemos incluir nesta afirmação os critérios de noticiabilidade até pôr que em parte isso cabe também ao público atendido. O problema é que mau apurada, mau redigida, a informação é publicada inadequadamente. Nessa hora os veículos e seus editores deviam se perguntar se a sociedade não deseja receber a informação de forma correta, mesmo que seja algum tempo depois do fato ocorrido.
O que deveria ser o dever dos meios de comunicação parece ter se tornado somente um grande rincha entre os concorrentes. Uma reportagem inédita ou o famoso furo se assemelha a uma alavanca para que os veículos vendam mais. O resultado é que a sociedade que até recebe rapidamente a notícia, mas obviamente não suficiente.
As mídias on line e sua característica instantânea contribuem um pouco com a paranóia do "ser mais rápido", mas que não deixa o leitor satisfeito, pelo contrário, em alguns casos quando há uma retificação de notícia, o deixa com sentimento de engano. Pelo fato de ser digital, a internet proporciona as redações uma rapidez que os outros meios não possuem a não ser o rádio, e os jornalistas jogam a notícia no ar de qualquer forma.Toda notícia deve ser apurada e ser cem por cento verdadeira e isso não muda se ela será lida na internet. Um exemplo disso foi o recente caso do incêndio em um prédio de São Paulo. Por minutos a informação esteve no ar dos principais sites de notícia do país como um avião que teria atingido um prédio em São Paulo. A inverdade causou a demissão do jornalista.
Quando o problema está somente na internet ainda não estamos falando o algo mais grave. A vida de muitos profissionais tem sido colocada em risco, quando muitos deles tem que presenciar sem necessidade fatos perigosos para que reportagens sejam feitas. Isso não é necessário. Para escrever uma matéria sobre roubo não é necessário roubar. Definitivamente o caso do assassinato de Tim Lopes não fez com que os mentores desse tipo de reportagem aprendessem a lição.
Na semana passada, determinada equipe do jornal O Dia, foi torturada por milicianos na favela do Batan em Realengo, Rio de Janeiro. A equipe alugou uma casa na favela para acompanhar de perto a ação da milícia e acabou sendo pega. Deram sorte de terem sido libertos. É válido a todo jornalista perguntar-se se vale a pena ganhar prêmios como Esso na carreira, infringindo a ética profissional e arriscando a vida, que é o que nos vale mais. Lembrando que não se discute que a realização profissional é importante e sim o que fazer para obtê-la.
Diante da situação não podemos afirmar ao certo o que quis realmente o diretor do jornal quando permitiu essa reportagem, ou o que querem os chefes quando permitem esse tipo de pauta. Por tudo que temos visto, informar o leitor pode não ser o primordial, é lamentável porém real.
Afastar-se da ética totalmente não é o modo correto, nem sadio de se fazer jornalismo. A ética é no mínimo o que se espera de um profissional no seu exercício seja ele experiente ou não. O papel da profissão e o dever que está implícito se distanciam dessas hipocrisias, exageros e superexposições de profissionais como no nosso cotidiano. Mas isso cabe também a cada um de nós jornalistas ,que temos o poder na palavras, respeitar quem está lendo, pois isso não pode continuar.